
O caso do senhor Celso poderia ser o seu, o do seu pai ou de um parente: veja como a UPA de Assis trata seus pacientes
Gostaria de compartilhar com vocês o caso do Sr. Celso Samuel: pai, avô e morador de Assis há mais de 47 anos. Nesse período, criou seus filhos e netos, trabalhou, compartilhou momentos felizes e derramou muito suor pela nossa cidade, assim como a grande maioria dos nossos munícipes.
Porém, o que o senhor Celso e sua família não sabiam é que o nosso sistema de saúde está indo de mal a pior. Com promessas ainda não efetivadas e uma administração que ainda tenta se encontrar, a UPA de Assis continua sob a gestão de uma empresa questionada pela Justiça, aguardando um novo processo de licitação para ser substituída de forma mais transparente e séria.
No dia 7 de julho, o senhor Celso, de 69 anos, deu entrada na UPA bem debilitado. Além da idade — que por si só já merece todo o nosso respeito —, ele é paciente oncológico e precisava dos cuidados que qualquer um de nós esperaria de um ambiente de saúde. Mas não foi isso o que ele recebeu.
Ele chegou à unidade com diarreia e sem conseguir se alimentar ou tomar água, devido a uma forte dor na garganta. O quadro intestinal já durava quase 30 dias; só passava com remédio e logo voltava, deixando-o cada vez mais fraco.
Seu estado não apresentou melhora entre os dias 7 e 10 de julho. Ainda assim, ele foi liberado pelo médico de plantão, que não viu no quadro clínico do paciente — nem nas súplicas de sua filha, Marina — motivos para mantê-lo sob os cuidados do Estado ou para transferi-lo para a Santa Casa (ou qualquer outro local adequado).
Marina me contou que o pai estava febril e muito debilitado. Visivelmente, ele não estava bem, mas, mesmo assim, a equipe afirmou que ele poderia ser tratado em casa.
Após a alta, no dia 10, a família decidiu levá-lo, no dia 11, para Marília, onde foi prontamente internado. Ao contrário do que aconteceu na UPA, lá o cidadão assisense foi recebido e tratado como deveria ter sido em sua própria cidade. Hoje, dia 20, ele continua internado em Marília. A família, no entanto, tenta trazê-lo de volta, pois arcar com os custos de idas e vindas para outra cidade não é fácil para ninguém.
E aqui deixo um apelo às autoridades locais: Prefeita Telma, Vice Alexandre, vereadores... Será que alguém poderia olhar por esta família? Por esse homem, pai, avô e cidadão assisense que precisou sair de sua cidade para continuar seu tratamento? Ele precisa retornar para ficar mais próximo de seus familiares neste momento tão difícil de sua vida e saúde.
Fica sempre a dúvida: o que leva um profissional a dar alta para uma pessoa que, visivelmente, precisava de cuidados e que, logo na sequência, foi acolhida por outra unidade de saúde (que a mantém internada até hoje por entender a gravidade do caso)? Será que esse procedimento não merece um olhar mais atento? Será que a decisão foi acertada? Foi humana? Foi técnica? Ou será que foi apenas o descarte de uma pessoa, deixada à própria sorte para não consumir os recursos do Estado?
Isso é algo que gera profunda indignação. E se fosse o seu pai, ou o seu avô? Como você agiria nessa situação?